Visibilidade Trans: Por que isso é problema nosso?
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Visibilidade Trans: Por que isso é problema nosso?

Hoje, 29 de janeiro, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans, que destaca a importância de uma luta pelos direitos das pessoas transgêneras, transexuais e travestis.

Essa população é alvo de muito preconceito e marginalização. A sociedade tende a desprezar os membros da comunidade LGBTQ+ e muitas vezes cometer crimes de ódio por não aceitar a existência dessas pessoas.

Independente de você ser parte ou não dessa comunidade, a violência que afeta essas pessoas é um problema de todos nós!

O que é “trans”?

Uma pessoa trans é aquela que não se identifica com o gênero atribuído ao nascer.  Ou seja, uma pessoa do sexo feminino que se vê como homem, ou do sexo masculino que se vê como mulher.

Além disso, existem as pessoas não binárias, que são aquelas que não são nem totalmente homem, nem totalmente mulher, podendo não ter gênero, ter um completamente diferente ou fluir em mais de um gênero.

Sexo e gênero são coisas diferentes: sexo está ligado à biologia, aos cromossomos e sistema reprodutivo. Já o gênero é uma construção social, uma mistura de papéis e estereótipos que variam de cultura para cultura.

Existem muitas divergências sobre o que leva uma pessoa a ser trans. Muitos se colocam na posição de julgar e desvalorizar a vivência dessas pessoas. Mas a existência de alguém não é campo para debate. Cada um se identifica de um modo perante a sociedade e temos que respeitar todos, mesmo que sejam diferentes de nós.

Até pouco tempo atrás, a transexualidade era considerada doença mental pelo Catálogo Internacional de Doenças (CID). Foi somente em 2018 que anunciaram uma mudança para a nova edição desse manual, onde ser trans não é mais considerado um transtorno. Porém, ainda aparece em uma categoria nova, relativa a  “condições relativas à saúde sexual”.

A mudança foi um primeiro passo na direção da despatologização. É um avanço, uma vez que tratar como doença aumentava o estigma. Entenda melhor abaixo:

Por que falar de “visibilidade trans”?

Como dito anteriormente, essa população é alvo de muito preconceito e crimes de ódio.

O Brasil, em particular, apresenta uma triste contradição: somos o país que mais mata pessoas trans e, ao mesmo tempo, que mais consome pornografia com pessoas transexuais ou travestis.  Segundo a ONG Europeia TGEU (Transgender Europe), só entre 2008 e 2015, mais de 800 pessoas trans foram assassinadas no Brasil.

Esses dados revelam a tendência do brasileiro de ver pessoas trans como fetiches, mas não aceitar que existam como indivíduos.

dia da visibilidade trans

Fonte da imagem: Correio Brasiliense

É por essa razão que é tão importante falar em visibilidade trans. Enquanto as pessoas não forem capaz de enxergar que pessoas LGBT, em especial transgêneras, são seres humanos, essa violência não vai diminuir.

Nem todas as pessoas são assassinas. Contudo, muitas contribuem indiretamente sustentando o preconceito. Uma piada, um comentário, um julgamento. Suas palavras tem o poder de empurrar essa população para as margens da sociedade.

Ao mantê-las escondidas dos olhares, se esquece de que elas são pessoas. Aí, passam a ser aberrações, fetiches e alvos fáceis para crimes de ódio.

Devido à marginalização e ao preconceito, surge outro dado preocupante sobre essa população: estima-se que 41% das pessoas trans já tentou suicídio, contra 1,2% das cisgêneras (que não são trans). Os dados são da ONG Internacional National Gay and Lesbian Task Force.

Por isso, é fundamental falar sobre esse assunto ao discutir saúde mental. É preciso colaborar para um mundo melhor para todas as pessoas, incluindo as trans.

Como todos os tabus, disseminar conhecimento é o primeiro passo para se libertar. Todos nós temos o poder de transformar esses dados. Nesse Dia da Visibilidade Trans, lembre-se que pessoas trans são pessoas e elas merecem existir independente da sua opinião.

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