O suicídio e a população LGBT: dados GRITANTES
Setembro Amarelo suicídio

O suicídio e a população LGBT: dados GRITANTES

Durante esse mês acontece o Setembro Amarelo, uma campanha que ocorre desde 2014 cujo objetivo é trabalhar pela prevenção do suicídio. Estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa se mate ao redor do mundo. Entretanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, 90% dos casos poderiam ser prevenidos se o assunto não fosse um tabu tão grande fazendo com que não saibamos perceber quando alguém pode estar pensando em se matar ou como ajudá-la.

É por isso que é preciso tocar nesse assunto, tarefa que nem sempre é fácil – ainda mais se colocamos outros tabus no mesmo jogo. Falar do suicídio dentro da população LGBT+ é delicado, porém necessário.

O movimento que clama pelos direitos daqueles que não são héteros ou cis (pessoas que se identificam com o sexo biológico) tem conquistado bastante espaço, contudo o preconceito não reduziu e a qualidade de vida dessas pessoas ainda é preocupante. Infelizmente, as estatísticas apontam que membros dessa comunidade se matam mais do que aqueles que são heterossexuais e cisgêneros.

Estudos realizados na Inglaterra por organizações civis como Stonewall concluíram que:

3% dos homossexuais e 5% dos bissexuais tentaram cometer suicídio, contra 0,4% da população masculina heterossexual;

-Entre jovens de 16 a 24 anos, 1 a cada 16 homossexuais já tentaram se matar, enquanto apenas 1 a cada 100 héteros já tentaram;

-Como se não fosse o bastante, 50% dos homossexuais entrevistados já sofreram violência dentro da sua próprias casas, vindo da sua própria família!

Uma pesquisa publicada em 2014, dessa vez do Instituto Williams de Los Angeles, estimou que 40% das pessoas trans já tentaram cometer suicídio. É uma tragédia ignorada.suicídio trans 40%

Já a Universidade de Columbia, dos Estados Unidos realizou um estudo com cerca de 32 mil jovens anônimos e concluiu que a probabilidade de um homossexual cometer suicídio é cinco vezes maior do que um jovem heterossexual.

Porém, o ambiente em que o jovem convive pode fazer muita diferença. Os adolescentes que vivem e estudam em locais que aceitam melhor gays e lésbicas têm 25% menos probabilidade de tentar suicídio do que os ambientes mais repressores.

Já no Brasil, um estudo da Universidade de Alagoas mostrou que no nosso país, a cada 10 meninos que cometem suicídio, 8 são homossexuais.

Mas nem tudo são números. Essas pessoas que morreram ou tentaram tirar suas vidas não são estatísticas no joguinho de ninguém. Estamos falando de vidas perdidas por causa da falta de suporte que a nossa sociedade oferece para a diversidade.

Sociedade esta que já matou pessoas por causa de cor da pele, religião, por ter verrugas e agora mata por ser gay ou trans. E vocês viram, as estatísticas são gritantes.

E o que dizer? Acontece todo dia de um pai dizer “prefiro um filho morto a um filho gay”. E no Brasil morre gente só por usar na rua as roupas do gênero que se identifica. A igreja, que deveria amar, só condena e abandona…

Não é o que você pensa sobre o assunto que importa. Você pode pensar o que quiser desde que não machuque ninguém. E homofobia não é só bater com lâmpada não, homofobia também é acertar alguém com suas palavras, é privar de direitos básicos – não pode casar, não pode adotar, não pode beijar, não pode parecer você (quem sabe seja melhor você morrer)!8 a cada 10 meninos que se matam no Brasil são gays

Não dá para falar de setembro amarelo sem dar atenção a uma das populações que mais se mata e entender o que está por trás disso. A população LGBT+ precisa de um suporte especial à sua saúde mental e um investimento na sua qualidade de vida.

Ninguém merece morrer por ser diferente. E essa falta de amor está matando toda hora.

Um suicídio a cada 40 segundos. Um milhão por ano. Muitos fatores estão por trás de cada morte; a maioria esconde doenças mentais mal tratadas ou subdiagnosticadas. Mas muitas também carregam o peso do preconceito e do comentário casual que você faz para sua família.

E se você que está lendo tem sofrido com pensamentos suicidas, saiba que você não está sozinho. E por favor, saiba que (sendo hétero ou não, trans ou não, tendo cometidos erros terríveis ou não) você não merece morrer.

Fale com alguém, dê uma olhada em técnicas para lidar com pensamentos suicidas e busque apoio psicológico. Mesmo que não pareça agora, as coisas podem melhorar!

Deixo aqui então meu apelo para que se reflita sobre o ódio que estamos demonstrando com os LGBT e as consequências que isso pode ter – e olha que nem mencionei sobre homicídios e agressões.

Cuidado para que seu comentário que “não foi homofóbico, só minha opinião”, não acabe matando ninguém por dentro.

E por último, quero deixar aqui um link muito comovente que achei pesquisando sobre o assunto: O ódio aos LGBT e um Suicídio Evitado onde um padre jesuíta conta uma experiência que teve nesse tema. Quem sabe, pode até representar alguma esperança…

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