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Por que falar sobre doenças mentais?

Parece estranho uma garota de 17 anos começar a escrever sobre saúde mental, eu sei. Na maioria das vezes quem sofre de depressão ou qualquer outro transtorno psiquiátrico mantêm isso escondido, pois nosso mundo não é nada receptivo a esse assunto.

Por um lado, alguns romantizam o ideal da loucura, do desprendimento social e do jovem deprimido, utilizando-se de estereótipo nada realistas. Por outro, chove julgamentos e preconceitos a quem de fato sofre com alguma doença. Mas acredito que o diálogo sobre o assunto é o primeiro passo para um futuro mais acolhedor.

Então, para entendermos a importância disso, vamos analisar um pouco de estatística:

Em 2013, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que aproximadamente 700 milhões de pessoas sofrem de alguma doença mental ou neurológica ao redor do mundo. Mais assustador ainda, é saber que pelo menos um terço não tem acompanhamento médico.

A depressão, por exemplo, já é a doença mais incapacitante e a que mais acomete pessoas na faixa dos 12 aos 19 anos. Cerca de 7º da população mundial sofre desse mal. E as previsões não são animadoras: entre 2020 e 2030, a OMS adverte que a doença passará a ser considerada a mais comum do mundo.

Vendo a dimensão do problema, parece sem sentido que pessoas com algum desses transtornos não busquem ajuda. O problema é que, infelizmente, o preconceito ainda é forte. Para muitos, depressão é apenas frescura. Ir a um psiquiatra, coisa de louco. Automutilação, desejo de chamar atenção. E é o medo da discriminação que leva muitos a não buscarem ajuda, esconderem seus transtornos dos amigos e da família, dificultando a recuperação.

Nesse cenário no qual vivemos, os dados sobre saúde mental são devastadores! Precisamos entender que doenças mentais são tão importantes como as físicas. Não é porque você não consegue ver, que ela não está lá, ou porque parece haver algum controle sobre o sintoma, que esse controle realmente exista.

Fugimos de expressões como “doença mental”, pois isso remete à ideia ultrapassada da pessoa “retardada” – de um tempo em que as famílias colocavam seus entes para viver a vida preso em uma instituição. Nem preciso falar o quanto isso está errado. Felizmente, hoje as doenças do cérebro vão muito além dessa triste realidade.

A recuperação é possível, mas nem todos conseguem acesso a ela.

Precisamos quebrar esse preconceito. Vamos falar sobre a saúde mental e compartilhar experiências. Trabalhando juntos conseguiremos nos ajudar e tornar o tratamento acessível a todos.

Conto com vocês!

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