EntreteniMente: “O Mínimo para Viver”
EntreteniMente gordofobia

EntreteniMente: “O Mínimo para Viver”

Estreou recentemente na Netflix o filme “O mínimo para viver” (“To the bone”) que relata a batalha de uma jovem com a anorexia. Desde que saiu o trailer, o filme estava sendo alvo de polêmica na internet, devido à possibilidade de ser um gatilho dependendo da abordagem do assunto, assim como foi a série “Os 13 porquês”, também produzido pela Netflix.

Na trama somos apresentados a Ellen, uma jovem de 20 anos que já passou por várias internações em decorrência da anorexia nervosa. Como ela não melhorava, sua madrasta procura auxílio de um médico pouco convencional e Ellen é internada novamente em uma casa de tratamento junto com jovens que sofrem com diversos transtornos.

Esse é um ponto positivo do filme, ele rompe com a ideia de que transtornos alimentares são coisas de adolescentes ricas e magérrimas. Em vez, apresenta pacientes gordos e magros, jovens e adultos, homens e mulheres.

A inspiração veio da luta da diretora do filme, Marti Nixon, contra transtornos alimentares. Seu objetivo era usar o filme como um modo de conscientizar sobre o perigo da doença, mas muitos profissionais questionaram o modo como isso seria conduzido, pois na nossa sociedade existe um culto pela magreza que ultrapassa (e muito) questões de saúde.

É só ver, por exemplo, quando uma pessoa fica doente e recebe elogios por ter perdido peso ou notícias parabenizando atrizes que emagreceram após a morte de algum parente ou um término. A mídia enfatiza que a perda de peso é boa, não importa como. E essas romantizações pioram a condição de pessoas com tendências a transtornos alimentares ou que já sofram com eles.

Então caímos num dilema, há uma preocupação que filmes sobre o assunto glamourizem a anorexia, fazendo parecer algo atrativo ou mesmo dando um passo a passo de como emagrecer de maneira demasiada. Ao mesmo tempo, é importante falar sobre os transtornos alimentares, para que haja mais conscientização.

A anorexia, principal retratada, é a doença mental que mais mata no mundo e infelizmente, não é difícil encontrar portais que incentivem a manutenção da doença e a falsa ideia de que se trata de um “estilo de vida”.

Felizmente, a abordagem do filme foi responsável. A doença foi retratada de maneira realista, mostrando os impactos negativos que ela trás, desde prejuízos no sistema reprodutor quanto a incompreensão dos familiares, levando a conflitos sobre de quem é a culpa ou quem deve assumir as responsabilidades.

Não posso dizer que não há nenhum gatilho no filme, mas houve o cuidado de não reproduzir cenas com nenhuma instrução de ritual ou números como peso, IMC etc.

Eu gostei bastante e recomendo, com restrições.  Se você acha que o assunto pode ser um gatilho, então não vale a pena assistir. Confira na nossa sessão EntreteniMente outros filmes legais sobre saúde mental que de repente não te prejudicam. Sua saúde mental tem que vir em primeiro lugar. Todo cuidado é pouco.

Mas de maneira geral, o filme é uma ótima dica para esse final de semana. Você já assistiu? Gostou? E ah, tem alguma indicação de algum filme legal que aborde saúde mental? Eu adoraria ouvir sua recomendação. Deixe aqui nos comentários!

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.