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Especial dia das mães: precisamos falar sobre a depressão pós-parto

Uma vez por ano focamos em homenagear as mães. Lindas mensagens saem por todos os lados, em todas as redes sociais. Inclusive por jovens hipócritas que postam uma foto com a mãe, sem fazer nada por ela o resto do ano. Em todos os lugares a maternidade é glamourizada, apresentada às mulheres como a maior maravilha do mundo. Nesse dia das mães, precisamos falar sobre a depressão pós-parto.

Então alguém engravida. Passam-se meses de expectativa, preparações, sonhos e frustrações. E quando o tão esperado momento chega, muitas não conseguem curtir.depressão pós parto

Um estudo recente da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), revelou que 1 a cada 4 mulheres brasileiras apresentam sintomas de depressão pós-parto.

A pesquisa entrevistou 23.896 mulheres entre 6 e 18 meses após o parto, em diferentes estados do país, e teve um resultado acima da média internacional – segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média de casos em países de baixa renda é de 19,8%, enquanto essa pesquisa revela que no Brasil ultrapassa os 25%.

Esses números são assustadores e chamam atenção para a necessidade de se falar sobre o problema, quebrar os estereótipos e aumentar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

É normal mães experimentarem alterações de humor e crises de choro após o parto, que acontecem principalmente devido às alterações hormonais decorrentes do término da gravidez. Porém, algumas mães experimentam esses sintomas com mais intensidade, dando origem à depressão pós-parto.

Raramente, a depressão pode se desenvolver de maneira mais grave, gerando a psicose puerperal, ou psicose pós-parto, que pode levar a mãe a delírios e pensamentos de machucar a si mesmo e ao bebê.

É importante ressaltar que, embora agora estejamos falando especificamente sobre a depressão pós-parto em mães, a doença também acomete os homens e o problema dos pais em relação à chegada de um novo bebê também deve ser tratado com seriedade.

Infelizmente, a questão é envolta de preconceitos, inclusive da parte dos médicos que, algumas vezes, negligenciam o problema ao tratar dos pacientes.

Mas a depressão pós-parto não é uma falha de caráter ou uma fraqueza. Também nada tem a ver com amar ou não a criança. É uma doença que, como qualquer outra, requer tratamento imediato e, felizmente, tem cura.

O que causa a depressão pós-parto?

Não existe uma causa única para a doença. Alterações hormonais, as mudanças bruscas na rotina da casa, ansiedade, dificuldades financeiras a preocupação sobre criar uma criança podem desencadear o quadro. Assim como diversas outras causas.

Em resumo, seria uma junção de fatores físicos, emocionais e de estilo de vida. Os fatores de risco incluem histórico de transtorno mental anterior ou na família, estresse, falta de apoio da família e amigos e violência doméstica.

O mito da maternidade perfeita também contribui para o aparecimento dos sintomas. Culturalmente, temos uma ideia da maternidade como algo romântico, fofo, bonito… E a realidade não é assim. Especialmente quando o pai não se dispõe a estar presente e ajudar nos desafios.

depressão pós parto3Tornar-se mãe será uma tarefa exigente, com grandes e eternas complicações. Quando isso nos é passado como algo maravilhoso e cheio apenas de pontos positivos, os sentimentos ambivalentes da realidade podem levar pessoas predispostas a desenvolver o  transtorno.

A nova mamãe pode descobrir que nem tudo é um conto de fadas e, tendo alguns sentimentos negativos sobre a situação, pode sentir culpa, gerando sofrimento. Esse sofrimento pode acabar transformando-se em depressão.

Portanto, é preciso admitir que a maternidade e os “poderes de mãe” não são necessariamente naturais, inerentes a todas as mulheres. Ser mãe pode sim, ser chato em alguns momentos e você, como mulher, pode não querer ter filhos. E está tudo bem com isso.

Fique alerta:

Os sintomas são semelhantes ao da depressão comum: tristeza, irritabilidade, cansaço, sentimentos de incapacidade, alterações no sono e no apetite, perda de interesse em atividades que gostava antes, desinteresse por sexo, angústia, entre outros.

A mãe se mostra irritável com a família, inclusive com o recém-nascido. Ela pode ter medo de ficar sozinha com o bebê, de não poder cuidá-lo ou de perdê-lo. Ama sim o bebê, mas não pode com ele por não se sentir suficientemente animada e forte. Há a sensação de não ter tempo para nada. Sentimentos de culpa também são comuns.

Caso você tenha se identificado com essa situação, não tenha medo de buscar ajuda. É uma doença, não é preciso sentir vergonha ou culpa. E, como dito anteriormente, existe tratamento e cura.

A família e os amigos também podem ajudar. Basta estar perto, ajudando e, principalmente, não julgando. Esteja perto, ouça, seja um ombro amigo e incentive a busca pelo tratamento. Juntos, é possível superar a doença.depressão pós parto2

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